Blog da disciplina Oceanografia
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NOVAS EVIDÊNCIAS RENOVAM SUSPEITA DE QUE MARTE JÁ TEVE OCEANO
Por Will Dunham
WASHINGTON (Reuters) - As formas longas e onduladas nos planaltos no norte de Marte são provavelmente as marcas remanescentes das margens de um oceano que cobria um terço da superfície do planeta há 2 bilhões de anos, disseram cientistas na quarta-feira.
As estruturas geológicas, que se estendem por milhares de quilômetros, foram reveladas pelas imagens da sonda Viking, nos anos 1980. Mas dados topográficos coletados pela sonda da Nasa Mars Global Surveyor, na década de 1990, lançaram dúvidas sobre a possibilidade de elas serem marcas de um litoral.
A Global Surveyor observou grandes variações na elevação na suposta costa, da altura de montanhas, e uma linha costeira deveria ter elevação constante, compatível com o nível do mar.
Mas cientistas afirmaram num trabalho publicado na revista Nature que o movimento dos pólos de Marte e o eixo de rotação teriam deflagrado a deformação de estruturas da superfície semelhantes às das supostas linhas costeiras.
"O pólo se mexe e dobra as linhas costeiras", disse numa entrevista por telefone o cientista Taylor Perron, da Universidade Harvard.
"Não temos a confirmação direta de que havia oceanos porque a água não está mais lá. Mas o que fizemos foi eliminar uma das principais razões para duvidar que ela tenha um dia estado lá."
Os pólos da Terra também já se moveram no passado.
Em algum momento, uma grande alteração de massa em Marte fez com que seu pólo norte avançasse 50 graus, para sua posição atual, e a mudança na orientação do planeta modificou a topografia das costas, disse o físico Jerry Mitrovica, da Universidade de Toronto, que participou do trabalho.
O oceano pode ter coberto um terço da superfície de Marte durante a primeira metade da história do planeta, e teria desaparecido pelo menos há 2 bilhões de anos, por motivos desconhecidos, afirmaram os pesquisadores.
"Proporcionalmente ao tamanho do planeta, o oceano teria sido para Marte o equivalente ao que o oceano Pacífico é para a Terra", disse Perron. Ainda há alguma água em forma de gelo nos pólos marcianos, e alguns cientistas acreditam que haja mais embaixo da terra.
Além de aumentar a compreensão sobre o vizinho mais próximo da Terra, provas da existência da água em estado líquido são essenciais para avaliar a possibilidade de Marte já ter abrigado vida como a terrestre.
"Indiretamente, demonstramos que já houve enormes massas de água em Marte", disse Mitrovica por email.
13/06/2007
postado por: JARBAS BONETTI 16:46
REVELADO O MISTÉRIO DA GRANDE CONQUISTA DE ALEXANDRE HÁ MAIS DE 300 ANOS ANTES DE CRISTO
Pesquisa descobre que houve uma preciosa ajuda da mãe natureza
A ilha cidade de Tiro era considerada inconquistável até que Alexandre, o Grande, marchou por sua ponte. Os pesquisadores agora revelaram que os conquistadores, na verdade, tiveram uma pequena ajuda ¿ da mãe natureza
A cidade libanesa de Tiro, uma das cidades mais antigas do mundo ainda existentes, se encontra sobre os resquícios de uma antiga batalha militar sangrenta e peculiar. Em 332 a.C., o conquistador macedônio Alexandre, o Grande, devastou a rica cidade mercantil, que na época era considerada inexpugnável no topo de uma pequena ilha rochosa. Hoje, Tiro se projeta da costa libanesa em uma faixa de terra em forma de língua, com os dias de refúgio em ilha deixados há muito no passado.
O cerco é famoso não apenas por sua importância estratégica e histórica -a captura da cidade foi chave para a conquista do império persa por Alexandre - mas também pelo feito de engenharia que deu a vitória para Alexandre. A certa altura durante seu cerco de sete meses a Tiro, Alexandre construiu uma ponte de madeira e pedra de quase um quilômetro de extensão para chegar do continente à ilha. Mas permanecia um mistério a forma como um exército de soldados parcamente equipados conseguiu construir uma via atravessando vários metros de mar profundo.
Os pesquisadores agora acreditam que Alexandre, o Grande, teve alguma ajuda da mãe natureza. Nick Marriner, geoarqueólogo francês, analisou os sedimentos de terra que atualmente ligam Tiro à costa libanesa. "Nós encontramos vários fragmentos, ladrilhos cerâmicos e pedaços de madeira", disse Marriner para a 'Spiegel Online'. "Mas não havia prova de que eles foram usados na construção".
Os pesquisadores também encontraram várias conchas de um certo tipo de mexilhão no sedimento, existentes em abundância nas águas costeiras rasas. Os pesquisadores concluíram que a elevação do nível do mar encolheu a ilha com o tempo, deixando as áreas recém-cobertas como lagoas salobras.
Enquanto Tiro tinha aproximadamente seis quilômetros de largura há 8.000 anos, ela encolheu para cerca de quatro quilômetros nos 2.000 anos seguintes, relatou Marriner em 'Proceedings of the National Academy of Sciences USA'. O pesquisador concluiu que as partes recém submersas da ilha tornaram difícil para as ondas atingirem a costa.
Como resultado, o sedimento da costa acumulou no espaço entre a ilha e o continente, deixando uma ponte arenosa bem abaixo da superfície da água, sobre a qual Alexandre, o Grande, pôde construir sua estrada para uma vitória histórica.
(Der Spiegel, Uol.com/Mídia Global, 16/5/07)
postado por: JARBAS BONETTI 14:13
MARES PODERÃO SUBIR POR MAIS MIL ANOS
Relatório do IPCC, que dá a última palavra sobre o estado do clima, diz que não há mais dúvida de que homem causa aquecimento
O nível médio do mar vai subir pelos próximos mil anos se os governos não criarem um projeto para baixar as temperaturas médias globais neste próximo século. A conclusão é de um aguardado relatório sobre clima da ONU.
O IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática), comitê de 2.500 cientistas responsável pelo relatório, publicou parte de suas conclusões oficialmente no dia 2 de fevereiro, em Paris.
O relatório prevê mais secas, chuvas, perdas de gelo no Ártico e nas geleiras, além da elevação do nível do mar até 2100. E adverte ainda que o efeito do aumento das concentrações dos gases-estufa na atmosfera vai durar por bastante tempo.
"As emissões de dióxido de carbono por atividades humanas no século 21 contribuirão para o aumento do nível médio do mar, e para o aquecimento global, pelos próximos mil anos, tempo necessário para que esse gás também seja removido" diz um trecho do relatório.
Entretanto, o documento tem boas notícias sobre o intervalo de alteração do mar. Novas projeções, baseadas em seis modelos, apontam que a elevação ficará entre 28 cm e 43 cm. No relatório anterior do IPCC, de 2001, as alterações apontadas eram de 9 cm a 88 cm.
Durante o século 20, o aumento do nível médio do mar ficou em 17 cm. Essa alteração, agora, ameaça ilhas, zonas costeiras e cidades em estuários.
"Muito provável"
O relatório afirma que é "muito provável" (até 90% de chance) que as atividades humanas, lideradas pela queima de combustível fóssil, estejam fazendo a atmosfera esquentar desde meados do século 20. O relatório de 2001 dizia que essa ligação era "provável" (66% de chances ou mais).
Em Nova Déli, o chefe do IPCC, Rajendra Pachauri, disse esperar que o relatório possa "chocar" governantes e fazer com ajam. "Não se pode deixar de considerar o crédito desse trabalho científico", disse.
O documento projeta um aumento de temperatura entre 2 oC a 4,5 oC a mais do que os níveis registrados antes da Era Pré-Industrial. A estimativa mais certeira fala em um aumento médio de 3 oC, assumindo que níveis de dióxido de carbono se estabilizem 45% acima da taxa atual.
Essa estimativa é mais precisa do que a anterior, divulgada em 2001. O último intervalo oficial começava em 1,4 oC e terminava em 5,8 oC. Não havia uma medida intermediária, como há agora. A União Européia diz que qualquer aumento superior aos dos 2 oC vai causar alterações perigosas.
Estabilizar os níveis de dióxido de carbono poderá aumentar as temperaturas futuras em 0,5 oC, principalmente entre 2100 e 2200. Em 2300, isso elevaria o nível do mar de 30 cm a 80 cm em relação a hoje. Depois disso, então, ambas as taxas começarão a cair.
O nível do mar já esteve de 4 m a 6 m mais alto quando as temperaturas estavam 3 oC mais quentes, há 125 mil anos.
A corrente do Golfo, que leva águas quentes ao Atlântico Norte, estava bem mais fraca, mas não o suficiente para estagnar por completo sua contribuição de aquecimento. Existe, agora, um pequeno risco de que ocorra uma abrupta interrupção desse sistema de corrente até 2100.
postado por: JARBAS BONETTI 21:38
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postado por: JARBAS BONETTI 20:45
PESCA DE ARRASTO AMEAÇA CORAIS NO BRASIL
Em zonas com mais de 200 metros de profundidade, um único lançamento de rede captura até 4.000 quilos de coral
Pesquisadores brasileiros admitem que o país deverá ter de criar certas zonas de exclusão para a pesca, nas regiões sob maior pressão
O desequilíbrio ambiental marinho está sendo empurrado cada vez mais para o fundo. O fenômeno, que é mundial, já começa a ser detectado pelos pesquisadores nas águas brasileiras. Por causa de um esforço de pesca cada vez maior, determinados tipos de peixe sumiram de perto do litoral, em todas as regiões do Brasil. Ao irem mais longe, atrás de novas espécies, os barcos de pesca não colocam em risco apenas as populações-alvo.
Os bancos de coral, apesar de indesejados, também são destruídos e trazidos à tona, principalmente na modalidade arrasto -redes são lançadas até o assoalho oceânico e arrastadas por quilômetros até serem puxadas de volta. Ainda não há uma estimativa oficial sobre o dano. Mas relatos dão conta de que em um único arrasto, em uma área ainda não explorada, 4.000 quilos de coral são capturados em apenas um lançamento de rede.
Até 2004, o grande alvo do sistema de arrasto era o peixe-sapo (Lophius gastrothysus), que vive em águas profundas. "Agora, muitas embarcações, inclusive de bandeira estrangeira, estão indo atrás também do camarão de profundidade. Como a pesca de arrasto é pouco seletiva, o impacto acaba sendo bastante grande", disse à Folha Marcelo Kitahara, pesquisador do Museu Oceanográfico do Vale do Itajaí. Hoje, segundo o cientista, algumas frotas pesqueiras já lançam equipamentos altamente sofisticados a até 1.500 metros de profundidade.
Os corais são zonas de grande biodiversidade. Por isso, a pesca do camarão, por exemplo, acaba sendo feita nessas áreas. Um dos motivos dessa busca mais profunda pelo pescado pode ser explicada pelos dados que acabam de ser compilados pelo programa Revizee (Recursos Vivos na Zona Econômica Exclusiva). Apesar de existirem algumas saídas, a pesca no Brasil está sendo feita de forma insustentável afirma o estudo. Um dos casos mais simbólicos, é o do peixe cherne-poveiro. Entre 1989 e 2001 a produção dessa espécie era de 2.000 toneladas anuais. Nos últimos anos, ela caiu para apenas 460 toneladas. Além disso, em termos gerais, a produção marinha de pescado do Brasil hoje é de 500 mil toneladas, contra 600 mil toneladas na primeira metade da década passada.
"A pesca de arrasto em águas profundas da costa brasileira (mais de 200 metros) vem crescendo desde o final da década de 1990. A destruição causada pelas pesadas redes foi comprovada por pesquisadores que estiveram a bordo dos pesqueiros. Eles relatam a captura de grandes quantidades de coral e de outros organismos de águas profundas também", afirmou Alberto Lindner, pesquisador do Cebimar (Centro de Biologia Marinha) da USP.
O especialista brasileiro em formações coralinas de águas profundas participou da equipe que descobriu imensos "jardins de coral" no Alasca, em 2002. A descoberta fez o presidente americano George W. Bush criar uma das maiores áreas de proteção marinha de todo o mundo. "Os dados sobre a destruição, no Brasil, e no mundo, são alarmantes. Esses organismos são ainda pouco conhecidos e precisam ser mais bem estudados", diz.
Se as conseqüências indiretas dos arrastões do fundo do mar são uma realidade, José Ángel Perez, oceanógrafo e professor da Univali (Universidade do Vale do Itajaí), em Santa Catarina, lembra que essa modalidade usada pela indústria pesqueira pode colocar em risco o próprio alvo principal, ou seja, os peixes. "O problema mais grave, na minha opinião, são as populações pescadas. Em geral, os níveis de abundância delas são muito baixos."
Para o estudioso, é o momento de ser feita uma grande discussão para que toda a atividade pesqueira realizada em águas profundas possa ser organizada. "O próprio programa Revizee mostrou que os estoques do litoral brasileiro não estão em boas condições. As medidas do governo, por enquanto, também não estão surtindo muito efeito", disse.
Na visão otimista de Perez, se medidas efetivas forem tomadas hoje, em dez anos a situação pode melhorar. "As populações não estão perdidas. Elas estão sendo muito exploradas. É possível reverter esse quadro". Entre as ações cabíveis, nem Perez nem os demais pesquisadores excluem a necessidade de que atitudes extremas sejam tomadas. "Em alguns casos, exclusões geográficas deverão ser estudadas", explica. Em outras palavras, se o Brasil e o mundo quiserem preservar a biodiversidade das altas profundidades, moratórias à pesca terão que ser decretadas em breve.
"A preservação desses habitats em forma de áreas de exclusão de pesca é essencial para a sustentabilidade", afirma Kitahara. "Não tenho dúvidas que isso vai precisar ser feito."
Eduardo Geraque
(Folha de SP, 23/10)
postado por: JARBAS BONETTI 08:45
KRILL PODE CAUSAR GRANDE TURBULÊNCIA NOS OCEANOS
Cardumes de animais e peixes minúsculos podem agitar as águas do oceano tanto quanto o vento e as marés
Junto com sua equipe, o oceanógrafo e biológo John Dower, da Universidade de Victoria, Canadá, observou aumento dramático na turbulência de uma baía quando um grupo compacto de krill (pequenos animais semelhantes ao camarão) veio à tona para fazer sua refeição noturna. A descoberta, publicada na revista Science em setembro, ajuda a entender a movimentação dos mares. Estimativas sugerem que um terço da movimentação das águas é causado por pequenos organismos desse tipo.
A mistura da água traz nutrientes do fundo para a superfície e regula a troca de gases com a atmosfera, mantendo o chamado Cinturão Termohalino Mundial, que liga as correntes oceânicas. Por muito tempo, o vento e as marés foram considerados os principais responsáveis por essa ação, apesar de plantas microscópicas na superfície do oceano aparentemente obterem mais nutrientes do fundo do mar do que esses mecanismos físicos pudessem explicar. "Por décadas, os pesquisadores ignoraram a idéia de que a migração de zooplâncton (pequenos animais marinhos) poderia ser uma fonte significativa de turbulência subaquática", diz Dower.
Dower e seu colega Eric Kunze decidiram investigar essa possibilidade. A bordo de um barco ancorado na Baía Saanich, na Columbia Britânica, eles lançaram uma sonda ao fundo do mar repetidas vezes. A cada descida, ela registrava variações com um centímetro ou mais no movimento e na temperatura da água. Ao anoitecer, o radar de bordo indicou a subida de um denso cardume de krill, cada qual com 1,5 cm de comprimento, vindo de águas mais profundas. Repentinamente, a turbulência registrada pela sonda cresceu entre mil e 10 mil vezes, comparada aos registros obtidos durante o dia. Isso aumentou significativamente a turbulência média diária da baía. "Sabemos que o krill é abundante em toda parte - será que esse fenômeno é geral?", pergunta Dower.
Isto é possível. Cerca de 1% da energia gerada por plantas marinhas microscópicas é convertida em energia mecânica na forma do zooplâncton e peixes, de acordo com um estudo de William Dewar e sua equipe da Universidade Estadual da Flórida, nos Estados Unidos, a ser publicado no Journal of Marine Research. Globalmente, isso se traduziria em um terawatt de energia - um terço da quantidade necessária para gerar o índice observado de turbulência. O vento e as marés contribuem com um terço cada. "Acreditamos que a importância da biosfera nesse caso seja comparável à de outros processos físicos", diz Dewar.
JR Minkel
Scientific American Brasil
http://www2.uol.com.br/sciam/conteudo/noticia/noticia_172.html
postado por: JARBAS BONETTI 18:50
Marés e ondas são a nova tendência para a geração de eletricidade
Existe aqui mais gente surfando as ondas do que os próprios surfistas. Este grupo é formado por um número crescente de cientistas, engenheiros e investidores.
Uma legião de empresários está recorrendo ao movimento perpétuo do oceano e transformando-o em um produto para o qual a demanda é alta: a energia.
Atualmente, máquinas de vários formatos e tamanhos estão sendo testadas desde as costas do Mar do Norte ao Oceano Pacífico - uma delas poderá até operar em East River, em Nova York, no próximo outono - para que se determine como elas capturam as ondas e as marés e criam energia marinha.
Essa indústria ainda está na sua infância, mas ela está atraindo atenção em grande parte devido à persistência dos inventores do setor de energia marinha, como Dean R. Corren, que transportou com persistência os seus protótipos para o uso das ondas e das marés por todo o mundo, mesmo naqueles anos nos quais o dinheiro e o interesse desapareceram. Corren, esguio e cerebral, é um cientista que há muito advoga o uso da energia verde, e que fez pressões pela adoção de várias medidas conservacionistas quando foi presidente da companhia de energia elétrica da cidade de Burlington, em Vermont.
"No longo prazo, esta poderá tornar-se uma das fontes mais competitivas de energia", prevê Max Carcas, diretor de desenvolvimento de negócios da Ocean Power Delivery, de Edimburgo, na Escócia. A sua companhia fabrica uma máquina de geração de energia a partir de marés que tem o tamanho de um trem de passageiros e um formato sinuoso, e cujo nome é Pelamis. A máquina gera energia ao absorver as ondas à medida que estas se propagam pela superfície do mar.
Com os elevados preços do petróleo, a redução das reservas de combustível e a pressão crescente para a redução do aquecimento global, os governos e as companhias de eletricidade alimentam grandes esperanças com relação à energia das marés. O desafio agora é transformar um acúmulo de pesquisas em um projeto comercial viável, algo que há muitos anos vem demonstrando ser uma tarefa difícil.
Ninguém afirma que a geração de energia a partir dos oceanos seja uma idéia absurda. Afinal, o "combustível" é gratuito e sustentável, e o processo não gera poluição ou emissões.
Além do mais, não são apenas os oceanos que poderiam ser aproveitados. O fluxo regular das marés em sistemas hidrográficos ligados ao mar, como o East River, na cidade de Nova York, também representa uma promessa. De fato, a idéia parece ser tão coerente que os inventores começaram a fabricar a primeira geração de geradores desse tipo séculos atrás. Vários deles operavam como represas, aprisionando a água e depois a liberando, após a vazante da maré. Mas esses sistemas tornaram-se arcaicos com a ascensão das máquinas movidas a vapor e a combustíveis mais eficientes.
A energia oceânica passou por um breve renascimento quando os preços do petróleo aumentaram na década de 1970, e protótipos foram testados na Europa e na China. Mas os financiamentos secaram quando os preços do petróleo ficaram reduzidos na década de 1990, e os avanços das turbinas eólicas e outras formas de energia renováveis deslocaram os projetos de usinas maremotrizes para uma posição marginal.
Atualmente, os projetos para a geração de energia a partir das ondas variam de máquinas que lembram rolhas de cortiça oscilando no oceano a artefatos semelhantes a cobras que apontam a cabeça para as vagas. Além disso, há também máquinas costeiras que se agarram às rochas como ostras.
Já as máquinas de energia das marés geralmente têm a forma de turbinas, parecendo-se com moinhos de vento subaquáticos, e geram energia ao girar, à medida que as marés sobem e descem. Mas alguns investidores estão testando também sistemas de concreto e aço que ficam no fundo do mar e que bombeiam água pressurizada para a costa.
E até mesmo grandes companhias comerciais de energia estão aderindo a essa onda. A General Electric; a Norsk Hydro, uma companhia norueguesa; e a gigante alemã do setor de eletricidade, a Eon, alocaram recentemente verbas para novos projetos ou investimentos em pequenas companhias de energia marinha.
"Essa é uma fonte renovável de energia que não vem sendo utilizada", afirma Mark Huang, vice-presidente de tecnologia financeira do setor de mídia e comunicação da General Electric, que está financiando os projetos marinhos. "Não existe lugar para ir, a não ser para cima", declara Huang. Ele acrescentou que as energias solar ou eólica deveriam ser vistas como "um estudo de caso" para o rumo que a energia marítima deveria tomar.
Neste momento, existem geradores de energia a partir das ondas sendo testados próximo às costas de Nova Jersey, Havaí, Escócia, Inglaterra e oeste da Austrália. Em Nova York, um projeto de turbina movida pelas marés que exercem influência sobre o East River deve ter início neste outono, e o deputado William D. Delahunt, democrata por Massachusetts, propôs que os Estados Unidos sigam os passos do Reino Unido no sentido de construir o primeiro centro de pesquisas de energia oceânica ao largo da costa de Massachusetts.
Um punhado de projetos comerciais também está em fase de elaboração, incluindo a primeira "fazenda de ondas" do mundo, como são conhecidos os complexos dessas máquinas, instalados recentemente ao largo da costa norte de Portugal. Um campo de turbinas movidas pela energia das marés também está sendo construído ao largo da costa de Tromso, na Noruega.
Segundo uma estimativa de um grupo financiado pelo governo britânico, o Carbon Trust, o Reino Unido poderia gerar até 20% da eletricidade da qual necessita a partir das ondas e das marés. Isso representa cerca de 12 mil megawatts por dia, com base no nível atual de consumo, ou o triplo da energia produzida pela maior usina elétrica britânica no momento. De fato, a Inglaterra e a Escócia se transformaram em laboratórios experimentais para o desenvolvimento da energia oceânica. Conforme a indústria de extração de petróleo no Mar do Norte perde o ímpeto, à medida que as reservas diminuem, os governos tentam compilar o conhecimento acumulado e transformar os empregos da indústria do petróleo em outras formas de geração de energia.
Um centro de pesquisas em Newcastle, na Inglaterra, está submetendo esses equipamentos a testes em uma piscina de ondas, e um outro está sendo lançando no mar agitado das Orkneys, as ilhas planas ao largo da extremidade setentrional da Escócia. O governo escocês se comprometeu a gerar 18% da sua energia a partir de fontes renováveis até 2010.
Caso a energia marinha substituir a queima de alguns combustíveis fósseis como o carvão, isso poderá ajudar a reduzir o nível médio de emissões de dióxido de carbono, e possivelmente aumentar "a diversidade e a segurança" do estoque da reserva energética, afirma John Spurgeon, especialista em energia marinha do Departamento da Indústria e do Comércio do Reino Unido.
Segundo Spurgeon, desde 1999 o governo destinou mais de US$ 47 milhões para pesquisa e desenvolvimento, US$ 93 milhões para a comercialização dessa pesquisa, além de uma quantia não determinada para injetar essa energia na rede elétrica.
No entanto, nenhuma fonte de energia é perfeita, e os pesquisadores da energia marinha estão se deparando com alguns obstáculos. Embora esses geradores não emitam poluentes fumacentos nem produzam lixo radioativo, as máquinas não são pequenas ou delicadas, e podem ser bastante feias. Para retirar energia do oceano, elas muitas vezes necessitam ser ancoradas ao fundo do mar a uma distância relativamente próxima à costa, ou instaladas em rochas costeiras - locais que tradicionalmente não eram usados para a geração de energia.
E apesar das suas intenções ecológicas, os inventores estão encontrando nos grupos ambientalistas alguns dos seus maiores oponentes.
Basta ver o caso da Verdant Power, de Corren, que vem tentando há anos construir um pequeno campo de turbinas maremotrizes no East River - um projeto que poderá finalmente ter início neste outono. Corren, o diretor de tecnologia da empresa, desenvolveu a turbina pela primeira vez como parte de um projeto da Universidade de Nova York na década de 1980, e planejou instalá-las na Ponte Roosevelt Island.
Depois que a universidade cancelou o financiamento do projeto, a equipe de Corren passou anos tentando encontrar uma nova base. Um executivo chegou a comprar um protótipo para o Paquistão, apenas para presenciar a perda dos dados coletados e o desaparecimento de computadores e instrumentos.
A Verdant se dedicou em um novo projeto de turbina para o East River em 2003, mas demorou dois anos e meio até que ele fosse aprovado pelas agências ambientalistas e pelo corpo de engenheiros do exército dos Estados Unidos para dar início ao projeto. A questão não dizia respeito ao bloqueio do rio ao tráfego de embarcações, a como o sistema seria interligado à rede elétrica e tampouco à possibilidade de a usina prejudicar a paisagem, já que ela fica em sua maior parte abaixo da superfície. O problema era a população de peixes do East River.
"Oito biólogos especializados em peixes eram contrários ao projeto, e não havia nenhum defensor do ar puro ou de outras pautas ambientais a nos apoiar", conta Ronald F. Smith, diretor-executivo da Verdant Power.
"Dá para ver que o processo regulador é extremamente tendencioso no sentido de que não se faça nada", diz Smith, acrescentando que os reguladores temem quaisquer reclamações que possam surgir com relação a qualquer projeto novo.
A fim de obter a aprovação, a companhia está instalando sonares no valor de US$ 1,5 milhão para detectar peixes em volta das turbinas "24 horas por dia, sete dias por semana", e os dados serão divulgados online, explica Smith. Os executivos da Verdant Power advertem que não se deve esperar por uma espécie de "câmera ao vivo do East River" que transmita os mistérios opacos que jazem abaixo da superfície. As transmissões de sonar lembram mais imagens pouco nítidas de uma televisão preto e branco, dizem eles, e além disso, eles têm visto "pouquíssimos peixes" durante as suas visitas ao rio.
A Verdant calcula que será capaz de gerar dez megawatts de energia elétrica a partir dos fluxos de maré que afetam o East River - o suficiente para abastecer vários milhares de casas, embora as suas turbinas de testes venham a ser testadas primariamente para fornecer energia a um supermercado Gristedes em Roosevelt Island.
Até o momento, os estudos sobre os efeitos das máquinas de ondas e marés sobre a vida marinha têm sido esporádicos e às vezes bizarros. Por exemplo, em uma experiência britânica, peixes congelados foram lançados como projéteis contra um pedaço de metal, com o propósito de estimar os efeitos das pás giratórias das turbinas.
Experiências apropriadas envolverão a instalação desses dispositivos em locais nos quais não são desejados, um problema que lembra a batalha da indústria eólica para a construção de novas turbinas. Alguns militantes ambientalistas dizem que o problema faz parte de uma mudança maior e mais intensa que ocorre no seio do movimento verde.
"Este é um grande desafio psicológico e cultural para o movimento ambiental e conservacionista", afirma Stephen Tindale, diretor-executivo do Greenpeace no Reino Unido. "O que precisamos para combater a alteração climática é de uma completa transformação do nosso sistema de energia, e isso exige que muitos equipamentos novos sejam construídos e instalados, alguns deles em locais que estão relativamente intocados", disse ele.
Mas o potencial da energia marinha é muito forte para ser ignorado. Por exemplo, um relatório recente identificou a Baía de São Francisco como sendo o maior recurso de energia de marés do território continental dos Estados Unidos. "Existem tremendos recursos para a geração de energia ao longo da costa da Califórnia", disse Uday Mathur, um consultor de energias renováveis para agências do governo e empresas privadas.
"O maior obstáculo é a criação de um cenário para o desenvolvimento no qual essas tecnologias possam prosperar", afirmou ele. "Isso inclui uma combinação de envolvimento governamental, apoio da comunidade para esses tipos de projeto e, é claro, a disponibilidade de financiamentos".
"A situação é muito semelhante àquela da energia eólica há 15 anos", explica John W. Griffiths, um ex-executivo britânico do setor de gás e fundador da JWG Consulting, que presta serviços de consultoria sobre projetos de energia renovável. Ele acrescenta: "Acreditamos que esta é uma indústria que está aguardando o momento de deslanchar".
(The New York Times, agosto de 2006)
postado por: JARBAS BONETTI 10:54
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postado por: JARBAS BONETTI 09:26
MAR DEVASTA ESTAÇÃO CIENTÍFICA BRASILEIRA
Pesquisadores se abrigaram em farol de arquipélago para escapar de ondas. Cientistas conseguiram por meio de um transmissor portátil contato com um barco pesqueiro, que os socorreu e avisou a Marinha
Ondas de pelo menos três metros destruíram nesta semana a estação científica do governo federal no arquipélago de São Pedro e São Paulo. Para escapar da morte, quatro pesquisadores se refugiaram em um farol.
A Marinha já realizou o resgate da equipe de cientistas. O arquipélago fica pouco acima da linha do Equador, a quase 1.000 km da costa do Rio Grande do Norte e a 650 km de Fernando de Noronha.
Formado por ilhotas rochosas, com vegetação raquítica e sem fonte de água, o local, inabitado, é um dos mais inóspitos do Brasil. A ressaca começou a atingir São Pedro e São Paulo no fim de semana. Segunda, as ondas se intensificaram.
Preocupados, os cientistas decidiram passar a noite no farol, ponto mais alto do arquipélago (22,5 m). Esse cuidado pode tê-los salvado. Na madrugada seguinte, a estação, que também serve de residência, foi atingida pelas ondas.
Parte do prédio, feito de madeira, desabou. Equipamentos eletrônicos, inclusive de comunicação, foram avariados. Segundo o capitão-de-mar-e-guerra Geraldo Gondim Joaçaba Filho, da Secirm (Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar), nenhum dos cientistas sofreu ferimentos, pois já estavam no farol quando as ondas ultrapassaram a contenção de pedras que protegeria a edificação.
Os cientistas estavam em São Pedro e São Paulo desde o sábado passado. Ficariam 15 dias. Após a chegada, uma mensagem enviada de Fernando de Noronha por radiotransmissor os alertou sobre a possibilidade de ocorrer uma grande ressaca.
O grupo é formado pelo cirurgião e instrutor da USP (Universidade de São Paulo) Fábio Lambertini Tozzi, 45, por sua mulher, a bióloga Adriana Barzotti Kohlrausch, 29, pelo biólogo João Paulo Machado Torres, 40, e pela universitária Larissa Cunha, ambos do Instituto de Biofísica da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).
Sem o equipamento de transmissão, destruído pelo mar, os cientistas -abrigados no farol - conseguiram por meio de um transmissor portátil contato com um barco pesqueiro que navegava por perto.
Os pescadores socorreram a equipe e avisaram a Marinha. Ontem, um navio-patrulha resgatou os cientistas, que seriam levados para Fernando de Noronha e Natal. A ressaca foi considerada pela Marinha a maior ocorrida em São Pedro e São Paulo desde a abertura do local a pesquisas científicas, na década passada.
Sem água potável e árvores, portanto, sem sombra, o arquipélago não é habitado. Equipes científicas se revezam a cada duas ou três semanas.
Para manter a exclusividade de explorar a pesca na área, cobiçada por outros países, o governo precisa mantê-la com ocupação humana o ano todo.
Uma das pesquisas que a equipe faria buscava investigar a presença de metais pesados na biota (conjunto de seres animais e vegetais de uma região) das ilhas.
(Folha de SP, 9/6)
postado por: JARBAS BONETTI 17:21
SURFISTA AUSTRALIANO "NOCAUTEIA" TUBARÃO E SOBREVIVE A ATAQUE
Parece Recife, mas aconteceu na Austrália. Acostumado a quebrar as ondas, um surfista quebrou a cara de um tubarão branco que resolveu fazer dele a sua refeição
Jack Heron pegava ondas na península de Eyre, no sul do país, quando foi atacado pelo peixão de quatro metros. O surfista quarentão levou dentadas no braço e na coxa, além de ter a sua prancha partida. Diante do dilema "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come", Heron não teve dúvidas. Para salvar sua vida, Heron virou a mão na fuça no tubarão.
"Ninguém viu o tubarão vir para cima dele. (O tubarão) o jogou para fora da prancha. Ele o puxou para baixo, porque a cordinha da perna estava presa a ele", disse outro surfista, Craig Materna, a jornalistas. "Ele chutou e socou o tubarão, acho que na guelra."
"Olhamos para cima e vimos sua prancha pular para fora da onda e este tubarão enorme simplesmente vindo", disse Jasmine Buckland, que estava na praia. "Então o tubarão veio duas vezes para cima (do surfista), na perna e depois no braço, e a prancha foi mordida e ficou simplesmente em dois pedaços", afirmou ela a uma rádio.
O surfista casca-grossa recebeu 20 pontos no braço, 40 na coxa e passa bem. O tubarão ficou com um olho roxo, o nariz inchado e também passa bem.
postado por: JARBAS BONETTI 12:21
Oceanografia, 2005.2 - RESPOSTAS DA PROVA 2
(12 de abril de 2006)
postado por: JARBAS BONETTI 14:50
Fiquei devendo uma figura com a distribuição geral das correntes marinhas:
postado por: JARBAS BONETTI 15:00